domingo, 21 de junho de 2009

Roberto Cabrini e o Reporter Record

Estou assistindo o Reporter Record e não posso deixar de comentar sobre este programa de hoje.

Poucos sabem, mas eu tenho um irmão adotivo (Joilson) que chegou em nossa casa com 5 meses de idade. Minha avó na época cuidava de crianças e os pais do Joilson o deixaram lá em casa e foram embora.
Como achavamos o nome dele feio passamos a chama-lo de Fernando e por Fernando ele é conhecido até hoje. Fica registrado também que os pais de Fernando tinham problema sérios com alcool e eram muito pobres.

Mas, mesmo com todos esses problemas o Fernando foi criado numa familia com carinho, amor e com tudo (nas nossas condições) que uma criança poderia ter. Minha vó, Zuleide praticamente o tinha como filho e como não podia ser diferente o considerávamos como irmão.

Fernando sempre deu sinais de problemas e claramente inconformado com o fato de ter sido abandonado pelos pais passou a cometer pequenas infrações, além de ser disperso nos estudos e pouco interessado em um futuro, seja ele qual fosse.

Criado em um ambiente religioso, aprendeu desde cedo que não poderia roubar, fumar, usar drogas, bebida. Não preciso dizer que não aplicou nada do que aprendeu.

Constantemente o aconselhava mas em vão.

Resumindo, Fernando passou a ter comportamentos estranhos, notas mais baixas que habitualmente e claramente desinteressado de tudo. Após a morte de minha avó, Fernando foi morar em minha casa e eu já havia o acompanhado em julgamento no juizado de menores devido a uma tentativa de assalto onde foi preso em flagrante e recebeu uma pena de 3 meses de "acompanhamento" e serviços voluntários.

Parece que depois da morte de minha avó que era sua "mãe" a cabeça dele passou a piorar e se meteu novamente em um roubo, desta vez guardou o produto do roubo em minha casa e foi pego. Eu estava viajando e quando um amigo me ligou dizendo que minha casa havia sido arrombada e ao chegar em São Paulo e fazer o boletim de ocorrencia me foi dito pelo delegado que a casa havia sido arrombada pela propria policia e que os produtos do roubo estavam em minha residencia.

Bom, não preciso dizer que por alguns instantes a policia chegou a considerar a hipótese de eu estar envolvido neste caso mas felizmente o Fernando confessou seu crime e acabou ficando preso.
Triste, mas não acaba por aí. Depois de ficar 3 meses preso Fernando saiu da cadeia e quando todos imaginávamos que ele tomaria um rumo, simplesmente sumiu e até hoje nada sei sobre ele, apenas que foi visto bebado em uma favela.

Então me pergunto, porque essas coisas acontecem em nossa vida e porque é tão dificil para o ser humano compreender que a vida deve ter um sentido, e que as coisas que aprendemos com nossos pais devem ser aplicadas com um único propósito de nos fortalecer e nos tornarmos cidadãos de bem.

Ao assistir este programa, que para alguns pode parecer sensacionalista... Me pego pensando no Fernando, e imaginando por exemplo por onde ele estaria hoje e o que mais eu poderia ter feito pra evitar algumas dessas coisas.

Depois de alguns anos e mais maduro, entendo que eu e nem ninguem poderia ter feito mais nada por ele que ele mesmo não pudesse fazer.

Logo, ao menor sinal desses comportamentos, seja em sua casa ou na de um conhecido, tomem cuidado com a forma como conduzirão as coisas porque pode realmente ser um caminho sem volta.

Obviamente isso também é uma questão social e não deixa também de ser uma responsabilidade do governo que tem o seu modelo de recuperação de jovens uma metodologia que não agrega nada a vida dessas crianças e jovens presas, não existe um planejamento para que essas pessoas tenham uma nova oportunidade e infelizmente o que acompanhamos é uma metodologia falida que aumenta a revolta nesses jovens e crianças, muitas vezes inflamando ainda mais a vontade deles em continuar no crime.

Emocionado (algo que confesso ter esquecido como que era), vejo essas cenas e me pergunto o porque dessas coisas.

O Fato é que mesmo que você não tenha filhos e isso não pareça por hora relevante pra você, todos nós somos pais e mães em embrião e fico muito preocupado em saber se terei condições para lutar mais uma vez contra esta situação. Hoje, claramente desapontado e até certo ponto me sentindo em partes culpado por não poder ter feito algo a mais pelo meu irmão me pergunto o que mais poderia ter feito por ele.

Tenho um sonho, e tão logo tenha condições para tal, desejo voluntariamente poder mostrar para jovens assim, um novo mundo... Cheio de oportunidades e vida.

E Fernando, se este post chegar um dia até você, não se esqueça.

Eu te amo.

Daniel

8 comentários:

Anônimo disse...

Dan as pessoas são responsáveis pela própria vida... você ja me disse isso uma vez em outras palavras. Engraçado vc citar a questão Joilson/Fernando, te marcou nê... talvez no fundo vc ache q ele seja mais Joilson q Fernando...enfim. Delete a culpa, n sofra pelo q n fez... te conheço e sei q adora carregar o mundo nas costas.

Vc não é responsável pelos outros e pela vida dos outros, definitivamente cada um está onde caminhou para está. Te adoro! Bjs!. Laura.

Anônimo disse...

Dani, quando as pessoas não têm um boa índole mão adianta ter tudo ( uma boa educação, amor dos pais, atenção dos irmãos, uma religião, entre outros) sempre estará faltando algo que a família nunca poderá dar. O que não pode é você sempre viver se pergutando o que você fez de errado e se poderia ter ajudá-lo de outra forma, se ele mesmo não quis ajuda.
Não cabe a você viver um sentimento de culpa, pois cada um é responsável pela própria vida, e tenha certeza que um dia ele reconhcerá a família que sempre o apoiou e que ele nunca deu valor, pois o arrependimento só chega quando não achamos mais ninguém para nos apoiarmos.
Quanto a ter filhos e passar por isso novamente, creio que não, pois estamos em carne para amadurecer nossos espíritos e que neste caso você já amadureceu e aprendeu.

Ti cuida.

Bjs!

Portal Scramble & Daniel Cruz disse...

Oi Gente,

É, realmente é delicado... Mas vamos em frente firmes como palanque no banhado como dizem meus amigos gaúchos!!!

Ps. Quem fez o segundo comentário? Não se identificou

Carolina disse...

Oi Dan!!
Assisti a reportagem do Cabrini ontem e confesso que as lágrimas rolavam a todo o tempo...só escutava a Gabi me perguntando: porque vc está chorando mamãe? Essas questões são realmente muito complicadas, sei o que está dizendo pois sou mãe e tenho um exemplo parecido na minha família, vc sabe...
Só nos resta pedirmos a Deus que os guarde e os protejam sempre, e pedirmos força para que também possamos dar a nossa boa contribuição para o mundo. :)

Beijos,

Portal Scramble & Daniel Cruz disse...

Oi Xú,

É complicado mesmo, mas o mais estranho é a sensação de ter feito tudo o que podiamos e ao mesmo tempo a a coisa de que "poxa vida" será que poderia ter feito mais?
Mas vamos em frente...

Beijo grande e obrigado pelo comentário.

Daniel

Anônimo disse...

Dani, eu assisti esta reportagem quando se passa em outras familias, parece que é facil resolver, na minha familia tive caso semalhante vi o sofrimento dos meus tios, mas a pessoa insiste em comenter erros e erros, se ela não tiver vontade de mudar, nada do ambiente externo vai fará mudar.
Parece que quanto mais sofre, mais busca sofrimento e assim como teu irmao, meu primo tinha tudo na familia, amor, carinho Deus,familia,amigos, condicoes financeiras.. ,mas mesmo assim optou pela vida do mal. infelizmente meu primo faleceu.
Desejo que teu irmão volte a dar noticias e que desta vez seja para dizer eu mudei internamente.

Bjus

Daiani Furtado

Eliane Moreira consultora disse...

Amei sua história,mas parece q as pessoas nascem com um destino traçado,apesar de toda a ajuda,todo o exemplo,eles pendem para o lado ruim,e não há Cristão q dê jeito.Pelo menos tentaram...Um abraço

Eliane Moreira consultora disse...
Este comentário foi removido pelo autor.