quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Episódio 2: O Le Cheval


Que bacana...


Costumo dizer que pertenci a última geração que realmente foi feliz, que teve infância... Que era levada ao som do Trem da Alegria, Balão Mágico e afins... “Sou feliz, por isso estou aqui... também quero viajar neste balão, super fantástico o Balão Mágico”





















Naquela época não tinha éguinha pocotó, Festa no Apê, Ado Ado cada um no seu quadrado, Baba Baby, Créu e afins, as musicas não tinham malícia, eram educativas.... Eu dizia que era o Mike... E adorava cantar a musica do Jairzinho “Xiribiribim bombom bombom, acordo de manhazinha, meu quarto cheio de som, girando na vitrolinha o meu sonho de bombom, Guitarra sombreiro sol e som, vamos a la plaia bombom bombom” 


Tenho adorado ler os comentários de vocês e muitas perguntas chegam e vou procurando responder aos poucos e a medida que vou me recordando. Por exemplo, falei que sou baiano mas só relatei minha vida já em São Paulo, digo portanto, que saí muito cedo da Bahia, pelo que sei com 1 ou 2 anos e nenhuma lembrança tenho disso, mas prometo que vou me informar sobre esses detalhes pra contar para vocês...


Em 1985 fui batizado na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias, quem era pra me batizar não pode ir e o meu bispo Fusco acabou me batizando. Irmão Darcy Corrêa (que eu havia escolhido) não pode ir, pertencia a uma organização chamada Primária, que me ensinou muitas coisas boas que aplico até hoje na minha vida. Lembro-me que eu havia feito um trabalho para um Líder da Igreja (Bispo Fusco) e ganhei 1 dólar dele, e ele me disse que eu poderia fazer o que quisesse com aquele dinheiro e eu decidi que pagaria o dizimo da igreja.


No mesmo dia do meu batismo, estávamos voltando para casa (que era ao lado da igreja) e eu sai correndo pela calçada e minha mãe gritando pra eu espera-la, nem dei moral... Continuei correndo e cheguei com meu primo primeiro em casa. Entrei direto na cozinha e peguei um biscoito, meu primo foi para seu quarto e quando todos entraram em casa foi anunciado o assalto. Eu havia ganhado um carrinho de bombeiros e minha irmã uma boneca... Fomos todos surpreendidos e me recordo bem que com a arma em punho e eu e minha irmã chorando... Eles nos ameaçavam, tudo já estava preparado pra ser levado, inclusive um som CCE 3x1 novinho que minha mãe havia comprado, meu carrinho dos bombeiros e a boneca da minha irmã... Ela chorando muito pedindo pra não levarem sua boneca sensibilizou o ladrão que devolveu pra ela, pedi então meu carrinho dos bombeiros mas o lazarento mandou eu calar a boca. Foi tenso... Mas não nos machucaram.




Foto: Site Memory Chips
Eu lembro do lançamento do álbum Triller de Michael Jackson, foi um abalo em todo o mundo e meu primo, Dorival se vestia e até parecia muito com ele. Um pouco antes de ir morar na Vila Sônia e conhecer os meus primeiros amiguinhos, dois episódios interessantes esqueci de relatar anteriormente. O primeiro é com meu primo Dorival, estávamos voltando pra casa e passamos em uma casa onde tinha um filhote (mais ou menos de 6 ou 7 meses) de um Pastor Alemão chamado Nero, ele estava nessa casa e era muito manso, começamos a brincar com ele pelo portão e ele tinha uma verruga enorme no focinho, a dona viu que estávamos brincando com ele e disse: Pode levar esse vira-lata embora, risos... Vocês não imaginam minha cara de felicidade com apenas 7 anos de idade... Levamos o Nero pra casa e ele era minha vida... Um doce de cachorro, minha irmã tinha muito medo dele e certo dia passou e deixou o portão aberto... O Nero fugiu e infelizmente foi morto na avenida, primeira perda considerável de algo que eu realmente amava... Atrás daquela concessionária que falei anteriormente havia uma granja, e um dia eu voltando pra casa com minha mãe e irmã vi uma galinha daquelas branquinhas na rua, eu sabia que era da granja mas estava na rua então seria minha, eu corri feito doido atrás da galinha até conseguir pegar, e depois de vários tombos e muitos arranhões eu consegui pega-la... cheguei todo faceiro em casa e logo ouvi minha avó dizer que iria mata-la pra comermos, e eu fiquei indignado com aquilo, como matar minha galinha? Os fundos de nossa casa dava com os fundos da igreja, onde tinha um parquinho, eu adorava construir rios e pontes na areia... criava os caminhos e depois abria a torneira pra dar a impressão de rio. Eu tinha medo de deixar minha galinha sozinha em casa pois sabia que minha avó iria cozinha-la, mas um dia ela me convenceu a ir e jurou que não mataria minha galinha. Contrariado eu fui, e quando voltei deparei com a primeira grande mentira da minha vida. A minha galinha estava morta, nossa, fiquei muito, muito triste com a mentira da minha avó... Hoje talvez eu tenha a consciência de que talvez era a única saída pra termos algo que comer naquele dia.


Meu primo tinha um Ferrorama, mas nunca deixou eu brincar com ele, salvo ficar observando ele brincar, risos... Minha mãe começou a namorar um cara, chamado Francisco, eu não ia com a cara dele claro, mas um dia eu fiquei observando pela janela e vi aquele cara beijando minha mãe na boca, tomei um susto e não entendi nada do que estava acontecendo, coisa de gente grande pensei comigo, e lembro que limpei minha boca dizendo écaaaaaaaaaaaaaaa. Minha mãe jura de pés juntos até hoje que não estava agarrada com ele. Meu primo fazia uns churrasquinhos com seus amigos, festinhas no quintal, é claro, eu não podia participar, ficava lá chupando dedo... Ele vestia umas roupas estranhas, umas pulseiras com espinhos de metal, roupas pretas era diferente. Certo dia ele “tacou” fogo em pólvora e não deu muito certo, quase perdeu a visão e lembro que fui algumas vezes com ele no hospital, quase ficou cego.


Nessa época tinha uma promoção do Suco Tang, você trocava as embalagens do suco Tang Por picolé da Yopa! Nossa, eu adorava hehehe


Eu continuava indo a igreja, aprendendo as coisas de Deus, Jesus Cristo e das Familias eternas, mas eu não queria viver eternamente com minha irmã, ela era chata e vivíamos brigando, isso me deixava confuso.


Uma coisa que me deixava triste, era ver a maioria das crianças com seus pais, e no dia dos pais sempre fazíamos uma homenagem aos pais cantando musicas pra eles, tinha uma, que eu cantava, mas nunca havia presenciado uma cena daquela, ela era assim:


“Quando chega em casa o meu pai, eu fico tão feliz, bato palmas a pular e corro a lhe encontrar, abre os braços para mim, ergue-me do chão, Aproveito e dou-lhe o que? Um bom beijão” Hum, estranho cantar isso pra ninguém, aliás, para o bispo, sempre me diziam que o bispo era meu pai, mas eu pensava comigo, poxa, ele nunca chega em casa todos os dias e abre os braços pra mim, deve ter algo estranho aí. Minhas líderes nessa época era a Marnie e Tati (Fusco), aprendi muito com elas... Eram doces e me tratavam com carinho sempre. Eu adorava fazer discursos, e já naquela época não estava nem aí pra falar em público. Sempre ao primeiro domingo de cada mês tinha o que chamam na igreja de “Reunião de Testemunho” onde é aberto todo o tempo para os membros prestarem seus testemunhos, fui encorajado pelo meu bispo a fazer o testemunho e eu fui, quando cheguei no púlbito e ví aquela galera, gelei... Olhei pra um lado, pro outro e disse: Esqueci! e saí correndo dali. Bons tempos de inocência...


Adiantando no tempo, e voltando aos meus amiguinhos Luizinho, Paulo, Marcos, Daniel e Rodrigo.


Eu estava com muita muita preguiça de ir a escola, então.. minha casa tinha uma escada que dava acesso a rua, e embaixo dessa escada minha avó guardava o carrinho de feira e outras tranqueiras, o esperto aqui decidiu “cabular aula” embaixo da escada, veja se tem fundamento o cidadão deixar de ir pra escola pra ficar debaixo de uma escada, mas naquele dia tinha aula da professora Ana (japonesa) professora de português. Não me lembrava que era sexta feira e a minha avó iria fazer feira. Quando penso que não, vai minha avó pegar o carrinho de feira embaixo da escada e o tosco aqui brilhantemente estava se escondendo lá, e tome marca de cavalinho no Daniel.
Essa mulher (Ana) era a figura do capeta pra mim, ela estava ensinando verbos e simplesmente copiava tudo na lousa, não explicava e mandava agente pra frente pra conjugar os verbos, eu a odiava com todas as minhas forças. Certo dia ela me chamou de burro na frente de todo mundo e eu falei que burro era o filho dela, claro, não podia dar em coisa boa... O professor Nino, barbudo de voz grossa ditava as regras na escola, e fui direto pra sala dele, contei o acontecido e minha mãe foi chamada na escola, eu não tinha porque mentir e a bruxa da Ana foi advertida, aff, me chamar de burro na frente de todo munto, vai te catar minha filha.


Nessa época minha mãe e avó faziam bolsas de crochê pra vender e aumentar a renda, final de ano, amigo secreto na escola e eu tiro a MA RA VI LHO SA da professora Mõnica, Jesus, era linda demais aquela mulher...


.... Dia do amigo secreto.


Aquela palhaçadinha de dizer algo sobre a pessoa que você tirou... o que você comprou e etc... E ela perguntando sobre o presente.....


É de comer?



  • Não professora






  • É de ler?






  • Não professora...






  • Então dá uma dica!






  • Minha mãe disse professora que as mulheres usam pra rodar!



Gente do céu, inocente criança que repete o que ouve em casa, eu estava dando uma bolsa pra MA RA VI LHO SA da professora Mônica e insinuei que era pra ela rodar bolsinha, kkkkkkkkkkkkkk Mais uma suspensão, hahahahaha, mas nesse caso minha mãe não podia falar nada porque afinal de contas, ouvi isso em casa.


A Roberta, ai a Roberta..... A coisa mais linda desse mundo, era a menina mais linda que eu tinha visto na minha vida. Quando lembro do rosto dela, hoje em dia... Vem na minha mente a imagem da Letícia Spiller, era linda linda linda linda... E acho que foi minha primeira paixão, mas ela NUNCA iria olhar pra mim... Eu era feio, magro, joelinho grosso, canelinha fina, cabecinha grande, um verdadeiro Raimundo Nonato... Além de tudo, pobre... e naquela altura do campeonato um repetente... Mas eu sempre ficava observando a beleza dela, por onde será que anda você hein Roberta? Estaria você hoje gorda, feia e cheia de filhos? Ou ainda linda e doce como outrora?


Amigos, eu usava bamba monobloco lembram?  (Foto ao lado) É bamba né? Aquele japonesinho falando no comercial com as caixas de bamba caindo em sua cabeça... Que bizonho... (Veja um dos filmes aqui http://www.youtube.com/watch?v=W8Q2gDfdklM)


Meu sonho era ter um “Le Cheval” era a sensação da época. branco, cano alto, lindo lindo lindo! Os mais afortunados tinham ou Le Cheval ou M2000, e quem não tinha, usava bamba mesmo. Eu pedia muito muito muito pra minha mãe um Le Cheval mas era muito, muito caro pra ela na época. Em frente a nossa casa, aos domingos, tinha uma feira livre (Comuns na cidade de São Paulo), eu estava determinando a ter o meu “Le Cheval” Tive então a idéia de fazer carretos na feira (Carregar sacolas de feira). Peguei o carrinho da minha avó e fui perguntando uma a uma das tiazinhas quem queria ajuda pra carregar as sacolas, eu não tinha forças nem pra andar, quem “dirá” carregar sacolas. Mas eu fazia aquilo com tanta vontade que elas me davam o dinheiro as vezes apenas pela minha força de vontade. E assim fui ficando conhecido e já tinha minha clientela fixa, na própria feira tinha uma barraca que vendia o Le Cheval, eu eu namorava ele todo domingo, o dono da Barraca já sabia que um daqueles seria meu. Depois de uns 3 meses carregando sacolas e fazendo carretos consegui finalmente comprar meu Le Cheval, tentei achar fotos na internet dele mas não consegui, mas pra mim era lindo na época. No mesmo dia, subi na mureta de minha casa e a dona Eva (vizinha) odiava que eu fizesse isso, mas aquele era meu dia, sentei ali e comecei a bater meus pés na mureta com meu Le cheval, para que todos vissem que eu tinha um tênis novo.


Lição de hoje.... Se você quer algo, lute, vá atrás, ninguém é responsável pelos seus problemas, ninguém tem responsabilidade de conseguir as coisas por você, isso é entre você e você. Graças ao bom pai, aprendi isso cedo na minha vida. E você? Já comprou seu Le Cheval? Ou está esperando alguém lhe dar?


Altruísmo.... Não esqueci não... vamos falar mais sobre isso mais pra frente, não me esqueci.


Próximo Episódio: Jaspion

14 comentários:

Diego Seixas disse...

kd as polêmicas?
Encurta o texto.

Anônimo disse...

Dani e suas histórias...destrinchar o passado é bom,nos ajuda a entender melhor quem somos hoje e nos torna pessoas melhores amanhã.Gosto muito de vc,viu?De coração!
Beijos!
Berna

tati disse...

Legal Cruz, vc tira lições boas de tds esses acontecimentos...bjus

Lilian disse...

hahah...muito bom Dani...
Já conheço uma boa partes destas histórias.

Os textos estão ótimos, parabéns
Beijo

juliana disse...

adoreiiiii ju

Anônimo disse...

Poxa que máximo este post, eu curti muito essa época do balão mágico quando era criança. Acho que as crianças de hoje em dia não tem mais acesso a essas músicas inocentes e criativas. As crianças estão ouvindo muito funk.

JOSELIA OLIVEIRA disse...

Adoreiiiiiiiiiiii !!!!!!!!!!!
Até hoje tenho os discos do trem da alegria e balão mágico. Oh melhor fase da vida.
bjs

fatima disse...

oiiieeeee......agora ja entendi todos os seus problemas........começaram na infancia quando te deixaram sem o carrinho dos bombeiros!!!!! ahahhahaah.......mas que sustão hein? Se você quer algo, lute, vá atrás, ninguém é responsável pelos seus problemas, ninguém tem responsabilidade de conseguir as coisas por você, isso é entre você e você!!! AMEEEEEEEIIIIII........BJUUUUUS

Ronaldo disse...

Meu. Vc está falando de uma época romântica que eu tb vivi. O Le Cheval é sansacional! VC relembra muitas coisas que fizeram parte de meu tempo. O Balão Mágico..Lembra quando o Fofão apresentava o Balão? Coisas românticas de um passado que não voltam mais! Pena!
Lutar. Questão de sobrevivência hj.

Willian de Freitas disse...

Muito bom haha
Me lembra muita coisa...
Que memória boa...
É tão bom relembrar...
A da galinha foi tocante, rí muito com a bolsa que você deu como presente de amigo secreto kkk
São pequenas e simples situações pessoais que se tornaram extraordinárias pra você, e são a sua base.
:)

José Pedro Renzi disse...

daniel sou mais..velho nasci em 1961 vi o homem chegar na lua sou do tempo do TUNEL DO TEMPO PERDIDOS NO ESPAÇO VAIGEM AO FUNDO DO MAR...e muito outros NACIONAL KID..A TV ERA PRETO E BRANCO DA SEMP...
USEI KICHUTE E BAMBA...FIZ O GRUPO ESCOLAR EM 1968 O GINASIO EM 1972 E ACABEI O COLEGIAL EM 1978...
TRANSAS SOMENTE SEM CAMISINHA...
FUI BATIZADO NA IGREJA CATOLICA E NASCI NO DIA DE SANTO PATRICIO...PATRICK...
sou viadante sou um pouco da tua geração e da nossa como vc afirma com honestidade e autenticidade...
somos de uma GERAÇÃO ALEGRE...SADIA COM BOLA DE GUDE PIAO E BOLA DE CAPOTÃO NA RUA...
TIVE AMIGOS NO FUTEBOL PROFISSIONAL...CARECA VICA GALLO MARINHO RÃ...DOUGLAS ONÇA...E O MEU PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FISICA N UNESP PIO...
BEM a tua vida é narrada...sempre com amor e autenticidade..
ISTO É QUE IMPORTA...!!!

Anônimo disse...

E ai Daniel.
Um grande abraço e sucesso.
Conheço algumas histórias suas também, mas não tenha medo não falo pra ninguém.
(Continue progredindo sempre)


Fábio Vargas

Daniel Cruz e Portal Scramble (1 só) disse...

Medo? kkkkkkk

Ow meu amigo Fábio Vargas, eu só tenho medo de uma coisa nessa vida.... Que é de dar a bunda pq tenho um medo danado de gostar kkkkkkkkkkkkkkkkk....

Se for o Fábio q eu penso q seja, bj na Isaura.

Daniel

Helinha disse...

Bacana, Dani...

É gostoso recordar coisas relevantes do nosso passado e que refletem muito do que soos hoje... Tem coisas que podem parecer pequenas para outras pessoas mas que são essenciais pra gente!!

Acho importante valorizar o que passamos, de bom e de ruim... as ruins nos ajudam a crescer!!

Beijão, querido!!